Acoes Provocativas

janeiro 05, 2004

sobre a linguagem inclusiva e sexismo

texto publicado nos termos da Anti Licenca Cypher Punk
A linguagem é inocente?

# A linguagem reflete padrões de interação social. Mais do que isso: a linguagem não só reflete como também participa na manutenção e reprodução de certas idéias e práticas culturais.

# A noção de que há conexões entre a linguagem e a configuração da sociedade não é nova. Sabe-se que a linguagem reflete, produz, amplia e limita nossas formas de pensar. O controle sobre a linguagem é também de certa forma um controle sobre as mentalidades. Um exemplo desse poder está no livro 1984, de George Orwell, em que é narrada a tentativa do governo totalitário de mudar a linguagem para evitar que as pessoas tenham pensamentos politicamente perigosos.

# A linguagem pode contribuir para a manutenção de certas desigualdades. Uma linguagem sexista certamente contribui para uma sociedade sexista.


O masculino genérico “neutro” é neutro mesmo?

# Existem vários pares de opostos (leão/leoa, cachorro/cadela), mas um termo do par geralmente funciona como um termo mais “neutro”. Usamos “cachorro” para nos referimos a cachorros machos, mas também é um termo geral para o cachorro cujo sexo não foi especificado. Cadela, no entanto, se refere exclusivamente à fêmea. Esses termos neutros são referidos
semanticamente como não-marcados, enquanto cadela e leoa são semanticamente marcados.

# A forma não-marcada homem pode se referir a homens ou a seres humanos no geral. A forma marcada é restrita às mulheres.

# Os argumentos feministas para essas expressões são de que as mulheres são efetivamente escondidas atrás da terminologia “genérica” e também que “homem” não é uma terminologia realmente genérica. Existe uma tendência a se pensar, realmente, nos homens. A neutralidade da categoria é duvidosa. Ao promover o uso do masculino e o desuso do feminino, claramente se apóia e se dá visibilidade e primazia para os homens.

# Podemos igualar a visibilidade entre homens e mulheres substituindo expressões como “homens” por “pessoas” ou “seres humanos”.

# E as expressões como “os estudantes”, “os ativistas” podem ser modificadas, usando-se os dois gêneros, usando-se @, ou mesmo formas mais criativas... “os/as estudantes”, “@s ativistas”...

# A quem interessa certas regras gramaticais? Por quem foram criadas?

# Que tipo de vocabulário e de moralidade você quer continuar produzindo? Lembre-se: você não só é usuário da língua, como também a produz!

Linguagem menos reacionária para pensamentos mais livres!